segunda, dezembro 18, 2017
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O País, a produtividade e a Engenharia Industrial

Está na ordem do dia a competitividade das nossas organizações. Como torná-las mais produtivas, mais capazes de competir neste mercado globalizado.

A engenharia industrial dá-nos algumas respostas.

Uma das lacunas que se poderá apontar às empresas portuguesas, é a falta de estratégia que permita alcançar a visão da organização a longo prazo.

Mas mesmo quando existe uma visão e a definição da estratégia para a alcançar, a maior parte das vezes a sua implementação falha, principalmente nas grandes organizações, por uma deficiente passagem de comunicação entre os diversos níveis da organização.

Em 1999, a revista Fortune afirmou que "70% das falhas são devidas a má execução estratégica e não a uma falta de visão. Em 2003, repetiu essa afirmação, dizendo que menos de 10% de estratégias formuladas são efetivamente executadas.

O sítio Balanced Scorecard Collaborative citou estas estatísticas, em 2006:

- 95% da força de trabalho não compreende a estratégia da sua organização;

- 90% das organizações não conseguem executar com sucesso as suas estratégias;

- 86% das equipas executivas gastam menos do que uma hora por mês a discutir estratégia;

- 70% das organizações não vinculam incentivos aos meios de gestão de estratégia;

- 60% das organizações não vinculam orçamentação de estratégia.

Os japoneses delinearam um conceito - “Hoshin kanri” - a que chamam de desdobramento de políticas, criando um fluxo de informação entre cada divisão na hierarquia da organização, permitindo assim uma eficaz execução da estratégia planeada.

O planeamento Hoshin-Kanri é um método detalhado para alcançar:

• A implementação da visão

• O alinhamento das metas

• O autodiagnóstico de progresso do sistema

• A gestão de processos de uma organização

• Foco direcionado a todos os níveis.

Num outro âmbito, e embora se pense que a Engenharia e Gestão Industrial só se aplica à indústria, como aliás o nome indica, também nos serviços se podem utilizar com grande sucesso as ferramentas existentes para racionalizar recursos e reorganizar as organizações. Portugal é essencialmente um país de serviços e fala-se constantemente na qualificação das pessoas, esquecendo os dois maiores problemas existentes nas organizações – a liderança e os processos envolvidos. Se não houver grandes avanços nestas duas vertentes, estar-se-á a ter uma visão redutora das empresas portuguesas e organizações em geral. Como exemplo, deixo uma lista de desperdícios nas empresas de serviços, que não acrescentam valor e devem ser reduzidos ou eliminados e que têm que ver com uma liderança com visão e com reorganização de processos, necessitando obviamente de pessoas qualificadas para a sua implementação.

 

 

Os dez desperdícios dos serviços

Defeitos

Erros de entrada de dados, arquivos perdidos, bens perdidos ou danificados;

Duplicação

Reinserção de dados; Várias assinaturas; Relatórios desnecessários; Múltiplas consultas;

Inventário incorreto

Stock out, desperdício de tempo a encontrar o necessário, cópias desnecessárias;

Falta de foco no cliente

Inimizade; rudeza; Pouca atenção dada ao cliente;

Comunicação pouco clara

Informações incorretas, formato de dados não padronizado, fluxo de trabalho pouco eficaz;

Movimentos / transportes

Disposição (layout) pobre; Arquivamento ineficaz; Pouca ergonomia no trabalho;

Colaboradores subutilizados

Ferramentas inadequadas, Excesso de burocracia; Autoridade limitada;

Variação

Falta de procedimentos, a falta de formatos padrão, tempo padrão não definido;

Espera/Atraso

Espera por aprovação; Inatividade; Falta de suprimentos;


Logo desde a empresa mais pequena até à grande organização, se verifica que diagnosticando eficientemente estes desperdícios e atuando eficazmente sobre eles, se pode reduzir custos nas empresas e aumentar a sua competitividade.

Por fim existe uma miríade de ferramentas, das quais citarei apenas um conjunto, desenvolvido pela universidade do Texas, perfeitamente gratuitas que poderiam resolver problemas básicos das nossas PME, como previsão estatística de vendas, análise de investimentos ou projetos ou logística além de muitas outras apenas à espera de serem utilizadas por pessoas com os conhecimentos adequados.

Em conclusão, a evolução, que se quer permanente, das empresas portuguesas, passa pela liderança que consiga ter uma visão de longo prazo, definir a estratégia para a conseguir, e aplicar com sucesso essa estratégia (o mais difícil), reorganizar os processos para os tornar muito mais eficientes e, sim, a qualificação das pessoas que permita alcançar este desiderato.